Atividade física, Body Positivity

Gordofobia não existe?

Oi, bolinhos de cenoura! Saudades? Porque eu estava. Tenho diversas coisas para falar com vocês, mas quero começar pelo assunto mais importante de todos. De uns tempos para cá, percebi um atrito entre a galera e vou usar do tempo de vocês para explicar algo que ainda não ficou claro: gordofobia x pressão estética.

É importante contar que existe todo um braço da sociologia dedicado a estudar a questão do corpo em relação a vida em sociedade e que comprova que a crença da perfeição no corpo magro já acompanha nossa realidade desde muito (muito mesmo) tempo atrás. Então tiramos uma das dúvidas do nosso caminho: gordofobia existe? Sim, existe e afeta milhões de pessoas diariamente.

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Próxima sobremesa nesse rolê de esclarecimentos: pressão estética. Esse julgamento expressamente baseado na aparência atinge principalmente mulheres (desculpa aí, meninos, mas mesmo que vocês sejam gordos e hostilizados por isso, o patriarcado ainda protege mais vocês do que qualquer menina gorda) e atinge todas as áreas da vida, desde o mercado de trabalho até a vida amorosa.

Mas aqui, minhas balinhas, a porca torce o rabo. Meninas magras também sofrem com pressão estética. É imprescindível entender que o modelo padrão de beleza é inalcançável por meros mortais como nós, que vão para o trabalho, para a aula, que cuidam de filhos, que não tem tempo ou não querem passar maquiagem de manhã. É impossível viver com a beleza padrão sem viver para ela. Vocês me entendem? Particularmente, tenho um interesse nas irmãs Kardashians mas entendo que não há como ser como elas sem viver para isso. A dedicação de tempo, esforços e o investimento passam de tudo o que eu tenho.

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Essa sou eu voltando para casa depois do ballet.

Se você tem muito peito, é vulgar, deveria se cobrir. Se você tem pouco peito, deveria pensar em cirurgia plástica. Diminuir a barriga, ajeitar o nariz, malhar a perna, não ter celulite (ai gente, por favor, quem não tem celulite?), tentar tirar as estrias… Tantas coisas para poder entrar em algo que é reproduzido em outdoors, páginas de revista e programas de televisão. Tantos tratamentos de imagem, boas iluminações e profissionais em volta de uma aparição, uma foto. E nós, bitoladas com essa ideia de beleza pífia, tentando fazer o máximo para conseguirmos nos sentir bem com uma foto direto da câmera do celular e com alguns filtros para o Instagram. Não acho que seja errado se sentir bem por isso. Acho errado se sentir bem por isso.

Entendemos isso, então? Pressão estética afeta todo mundo (inclusive os meninos mas, de novo, mais as meninas). Agora vamos a próxima doçura do rolê: a gordofobia. Quem aqui já ouviu “ai, mas eu também sou julgada por isso” ou “nossa, isso está na tua cabeça”? Levante a mão e venham aqui sentar na nossa rodinha. Mamãe vai contar uma coisa: isso é pressão estética, amiga. Não é gordofobia. Não está dentro da minha cabeça.

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Sofrer de gordofobia é ir ao oftalmologista e sair com uma receita de dieta. É ser desvalorizada no âmbito médico por ser gorda. Não poder viajar de avião porque a cadeira é pequena ou passar o desconforto de ter que pedir por um extensor de cinto de segurança. Vocês sabem o que é isso? É horrível. É humilhante. Trancar na catraca do ônibus, sentar em um daqueles “bancos para obesos” que ainda são pintados de outra cor e ouvir coisas como “caberiam três pessoas ali”. Bom, claramente não cabem porque existe uma pessoa ali que está tentando se diminuir ao máximo para poder continuar vivendo. A gordofobia faz com que a taxa de mulheres gordas promovidas no mercado de trabalho seja baixíssima.

Entendem meu ponto? Negligência social é uma palavra que anda lado a lado com a gordofobia. Eu me pergunto até quando vamos colocar a palavra gorda como xingamento e magra como elogio. Gente, não faz sentido. Não existe problema em ser magra ou gorda, por que essa diferença então?

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Só relembrando: pressão estética e gordofobia são diferentes. Ambas existem. Ambas destroem pessoas todos os dias. A existência de uma não invalida a existência da outra. Estamos conversados?

Bem-vindos a abril. Mamãe ama vocês.

Bye, internets.

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Atividade física, Body Positivity

Ela é gorda!

Oi, cocadinhas. Cês estão doces? Oxe, eu to 😀 Essas semanas foram loucas (muito mais que o normal) e eu, literalmente, não tive de chance ou energia para sentar e escrever. Cês sabem que mamãe bolinho está se esforçando, né? Então tá.

O ano nem começou e já teve menina plus size causando na mídia #orgulho. Cês ouviram falar da Lizzy Howell? Bom, se não, deixa eu contar. Lizzy tem 15 anos, é americana, bailarina e apareceu em revistas como a Teen Vogue, People e Elle. Sabe por que? Porque ela decidiu não deixar o estigma do corpo gordo destruir a vontade dela de dançar. Mas, daí, chamo a atenção de vocês para o fato de que a Revista Boa Forma deu ênfase ao fato de que Lizzy tem hidrocefalia. Não me entendam mal, não estou dizendo de maneira alguma que não devamos prestar atenção na doença. Devemos sim, mas não dessa maneira. O vídeo não foi um viral porque ela tem hidrocefalia e sim porque ela é gorda.

turning monday¿ #ballet#turn#balletdancer#dancer#foutte

A video posted by Lizzy 🤘🏼 (@lizzy.dances) on Nov 21, 2016 at 4:02pm PST

 

Chego ao ponto central aqui: por que é necessário explicar o peso dela? Por que é necessário justificar isso? Ando me aprofundando mais nesse negócio de gordofobia para não ficar só em achismos e experiências próprias. Percebi que esse é um mal entranhado na sociedade e quase não percebemos. Um fato muito triste: o corpo gordo não pertence a lugar nenhum. Logo, não pode se destacar de qualquer maneira.

Volte alguns meses e tentem lembrar da menina gorda que fazia yoga, ou da menina gorda que é capa da Playboy ou qualquer outra coisa assim. Todas elas, e enfatizo, todas elas, foram testadas, com a saúde posta a prova. Essa coisa da saúde está ficando velha, tá? Vamos parar. Vou ainda fazer todo um texto explicando que a mesma doutrina que fala que ser gay é errado, que mulher precisa ser submissa e tudo isso, foi a mesma que fez o corpo gordo ser um pecado. Então, chegou a hora de abrir mão desses preconceitos fantasiados de preocupação.

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Lizzy não é incrível porque ela é gorda e dança. Ela é incrível por dançar. Tanta gente aí com dois pés esquerdos e nenhum senso de ritmo… Outro grupo que me chama bastante a atenção é o Pretty Big Movement, totalmente formado por mulheres plus size. Você não merece um biscoito por dizer “se movem tão bem para meninas gordas”, certo? Você só está escolhendo ser panaca e nessa família de doces, nós não concordamos com isso.

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Então, meu conselho dessa semana: tente não deixar o seu corpo ou a pressão social impedirem você de fazer algo. O cabelo é seu, a roupa é sua, o corpo é seu. Quer dançar? Bora! Nadar? Tamo junto. Jogar xadrez? Fazer pintura a óleo? Posar nua? A gente se ajuda ❤

E por último: viu que tem algumas coisas mudando? Sou eu, mãe bolinho, atualizando as coisas. Ainda está sendo complicado postar toda semana mas hey, cê confia em mim, né? Eu confio 😀

bye, internets!

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