Body Positivity

A gorda em setembro

Oi, meus bolinhos de cenoura! Começou um dos meses mais importantes do ano pra mim. Setembro tem um significado importante e traz a tona uma das causas que eu mais defendo quando falando sobre o corpo livre: a importância da saúde psicológica de todo mundo.

Esse pode ser um texto um pouco diferente dos outros, porém ele é importante. Segundo o Instituto Sinapse, 30% dos pacientes que procuram por tratamentos para emagrecimento mostram um quadro relacionado a problemas de saúde psicológica. E não é a primeira vez que falo sobre como é importante manter a saúde, em todos os aspectos. Entendo que não sou médica, nem formada em qualquer área da saúde (ainda), mas tenho uma experiência real com o corpo gordo: sempre fui gorda.

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Não quero pregar a ideia de “BORA FICAR LOUCO, ENCHER A CARA DE TRAGO, FUMAR CIGARROS E IR NO MC DEPOIS”, longe de mim. Não fumo e nem bebo (mas comer eu como mesmo porque todo mundo tem um vício, tá? e o meu é a comida que meu irmão prepara. ou minhas vós. ou minha mãe e meu pai. ou meus melhores amigos. SEI LÁ, ME ALIMENTA AÍ, GENTE) mas a sociedade como é, acha que tem direito de questionar minha saúde porque sou gorda. Essa semana, em um evento entre amigos da família, fui questionada sobre porque não fazia cirurgia bariátrica. Simples: porque eu sou saudável. Se tivesse qualquer tipo de complicação clínica direta criada pela gordura, estaria na cirurgia hoje.

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E aí está o ponto. Ninguém se importa realmente com a saúde daquela pessoa. Um gordo ou uma gorda dói nos olhos, incomoda, irrita, ainda mais se essa pessoa TEM A AUDÁCIA de se sentir bem. De respirar livremente na própria pele. Sabiam que o que mais afasta pessoas gordas da academia é o julgamento social? São os olhos que acompanham a pessoa entre os equipamentos, as manchas de suor (que todo mundo tem) que parecem engolir o corpo por inteiro, é o descaso dos profissionais com aquele corpo. Não é a pessoa gorda. Falo por mim, houve um período da vida onde eu só queria duas coisas: 1) ser igual a todo mundo e 2) que ninguém conseguisse me ver. E isso, gente, mata mais por ano do que a obesidade. 1 pessoa se suicida a cada 40 segundos.

Eu não estou dizendo que todas as pessoas que se suicidam são gordas, estou explicando que infringimos dor às vezes sem perceber. Lembram do texto da amiga magra? Exatamente. Professores, colegas, chefes, namorados e namoradas. Quando criei o cincodois, minha ideia era poder manter uma comunidade que pregasse aceitação e que entendesse que existe beleza e amor de todas as formas, cores e sabores. Assim como bolo! E, cara, eu amo bolo. E amo cada ideia que tenho para poder continuar com isso, cada insight que vocês me dão, cada pessoa que vem falar comigo e cada novo projeto.

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Então, durante setembro vamos falar muito de saúde mental para quem é um bolinho como a mamãe. E, aproveitando, quero saber o que vocês amam. O que move esses corpos, alegra esses corações e enche essas bocas. Mamãe ama vocês!

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bye, internets!

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Festividades e a dieta: como lidar?

Vamos começar com o fato que: o Natal é o meu feriado favorito. Tipo, a vida inteira. Era a época de fazer biscoitos, me sujar toda de farinha, empacotar panetones para todo mundo e ficar muito mais tempo com a minha família. Isso e ainda toda a magia de ornamentos coloridos, tradição e presentes. Nesse momento tem uma árvore de Natal completamente de glitter dentro do meu quarto (invejosos dirão que ela sempre esteve lá, mas eu não ligo, agora ela está bem limpinha e cintilante).

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Não é toda a galera que criou as mesmas memórias que eu e entendo completamente. O final de ano e todas as festividades envolvem muita coisa e uma grande montanha-russa de emoções, normalmente ligada a encontrar com mais partes da família (o que também era completamente louco, porque o pessoal aqui é uma mistura de húngaros, alemães e italianos). Entretanto, vou dizer que nem sempre foi completamente bom. Lembro bem claramente de uma vez que respondi para alguém que “troquei meu namorado por anfetamina”. No meio da ceia, na frente de todo mundo. Minha mãe é a prova viva (que, na época, só riu porque era o melhor a fazer).

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Então, pensando nisso, resolvi falar sobre aquilo que inevitavelmente acaba acontecendo em algum ponto da nossa vida: a conversa sobre dieta durante a refeição. Como já falei milhares de vezes, sou inteiramente a favor da alimentação saudável, só que aqui existe um ponto interessante. Por que falar sobre reduzir a comida enquanto há um monte dela na nossa frente? Não é sobre comer ou não comer mais, é sobre culpa. Sobre ver o alimento como algo ruim, que depreda o corpo e estraga a alma, o que é, basicamente, a base da gordofobia. Uma explicação bem breve de como esse preconceito surge sendo que as pessoas assimilam comer com culpa, com engordar, com desleixo, preguiça… E aí por caminhos bem mais horríveis. Em inglês existe a expressão “guilty pleasure” e eu fico meio “por que comer é um guilty pleasure?”, não quero me sentir culpada por me alimentar e comer coisas incríveis.

Minha mãe sempre conta a história de um jantar beneficente que ela e meu pai compareceram e as esposas (foco aqui, pois essa é mais uma forma de deixar mulheres encoleiradas e comedidas. Triste, mas além de lutar contra gordas e gordos, a sociedade AINDA não cansou de lutar contra mulheres) nos outros casais quase não comiam e sempre se explicavam pelo o que serviam. No final da noite, minha mãe quase não havia comido. A pressão é latente nessas situações, é horrível. O mesmo acontece no Natal e no Ano Novo. Por que as pessoas precisam se sentir culpadas pelo o que comem se os outros não se sentem mal pelo o que falam?

Moral da minha história: se você quer comer, coma. Use aquele look maravilhoso, glitter nesse corpo e aquele perfume delicioso (ou a roupa que te faça feliz e bonita/o, sinceramente). Se você não quiser comer, tudo bem. Só não dê aos outros o poder das suas escolhas. A maioria das pessoas não sabe nem o que faz com a própria vida, como eles podem saber o que é melhor para você?

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E a melhor maneira de lidar com isso? Minha dica é: não seja agressiva/o se não for necessário (LET’S BE REAL, às vezes não rola a educação), mas tente contornar até se sentir completamente segura/o para confrontar de uma maneira lógica. Dói? Nossa, dói muito. Já deixei de jantar diversas vezes por culpa de comentários de parentes. Hoje? Tomo um gole de vinho e “eu só acho engraçado que”, porque me sinto segura para mostrar quão errado e prejudicial esses comentários podem ser.

A internet pode ser um grande grupo de suporte quando você encontra as pessoas certas. Nós somos as pessoas certas. Ajude os amigos que ainda não estão prontos para serem confrontados e crie boas memórias, mesmo fora de datas festivas. Já diz a música Border, do Years & Years: My heart will start to shine and I will be alright.

Eu acredito em você. Não precisa ficar nervosa/o um mês antes. Se precisar, pode vir falar comigo em qualquer uma das minhas redes. Certo?

Bye, internets.

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