Body Positivity, Body Shaming

Minha mãe faz dieta

E aí, minhas tapiocas de nutella. Suavão? Suavão. Nem vou falar sobre o tempo que não venho aqui, fiquei louca, não sei nem o que dizer. Mas, vamos ao que interessa. Esse texto era para ser “Minha mãe tá de dieta e outras paranóias da minha cabeça” mas achei que ia ficar muito grande na exibição.

Para quem não sabe, mamãe bolinho também tem uma mãe. Minha mãe é incrível, super inteligente e cozinha mega bem. Uma coisa que minha mãe ainda não conseguiu fazer, é deixar os padrões de beleza de lado. Trouxe isso hoje não para expor minha mãe ou qualquer coisa assim, mas sim para defender toda uma geração que vem antes da nossa.

Há alguns dias atrás, estava em um grupo de pesquisa sobre diversidade para participar de um projeto muito legal. Nisso, foi levantada uma questão: as pessoas mais velhas não sabem porque não podem ou podem gostar de algo. Vou explicar melhor: se a gente pensar no tanto (e tipo) de informação que estava disponível 30 anos atrás, é mais fácil entender porque essa galera acredita piamente que para ser feliz é necessário ser branca, magra, com o cabelo liso e tantos outros padrões. Era só o que era visto, as revistas falavam sobre isso, a televisão, as escolas…

Baseados nisso, minha mãe de tempo em tempo entra numa dieta meio maluca que só ela consegue seguir porque é meio pee-wee mesmo. Mas ela diz que para ela tá tudo bem. E entendam, minha mãe tentou, ao máximo, não me deixar passar pelo o que ela passou. Então eu fiz dietas pee-wee, nutricionista, remédio, endocrinologia… Porque, sério, a geração que veio antes da gente acredita que, basicamente, só isso tá certo.

Aí cês pensam que é só minha mãe? Não é. Ela só foi o acaso pra me deixar louca uma noite quando eu só queria jantar na boa e ela falou que tava de dieta. A gente só sabe onde tá o calo quando ele dói, escutem o que eu digo. Eu fiquei muito neurada porque na minha cabeça, que cresceu com isso, se minha mãe entra de dieta, eu preciso entrar, porque eu preciso ser magra pra ser aceita. Essa ansiedade bateu tão forte aquele dia que me deixou tonta. Mas daí eu acalmei e lembrei que não preciso #kissmyfatass

O lance é: a gente não é perfeito, imagina nossos pais, avós, tias… claro que isso não justifica nenhum tratamento horrível que tenha acontecido com qualquer pessoa gorda por aí, é só uma explicação social de onde vem esse comportamento agressivo contra o corpo gordo. Da mesma forma que o preconceito racial é entranhado na sistemática social, outras conceitos e preconceitos também são (não desvalorizando nenhum deles, todos são horríveis e completamente nocivos).

A minha dica é: paciência. Dói ser hostilizado? Dói. Do alto do meu monte de privilégios (mas a gente fala disso outra hora), eu digo que dói sim, ainda mais quando isso vem de casa. Sinceramente, pra mim foi fácil comparado aos relatos que já ouvi: mães que jogavam a comida das filhas fora; que escondiam comida; que faziam as meninas correrem por horas; que diziam para meninos que eles iam morrer sozinhos se fossem gordos (que tipo de conceito tu passa pra uma criança dizendo isso, cara?)… Mas nós somos a geração para quebrar isso, pra ajudar outras pessoas que vivem ao nosso redor. PARECE UM TEXTO OTIMISTA? Não é, não sou nada otimista hehe /cries porém é no que eu acredito. É o que eu faço. E espero que vocês façam o mesmo.

Vejo vocês em breve!

bye, internets!

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Atividade física, Body Positivity

Gordofobia não existe?

Oi, bolinhos de cenoura! Saudades? Porque eu estava. Tenho diversas coisas para falar com vocês, mas quero começar pelo assunto mais importante de todos. De uns tempos para cá, percebi um atrito entre a galera e vou usar do tempo de vocês para explicar algo que ainda não ficou claro: gordofobia x pressão estética.

É importante contar que existe todo um braço da sociologia dedicado a estudar a questão do corpo em relação a vida em sociedade e que comprova que a crença da perfeição no corpo magro já acompanha nossa realidade desde muito (muito mesmo) tempo atrás. Então tiramos uma das dúvidas do nosso caminho: gordofobia existe? Sim, existe e afeta milhões de pessoas diariamente.

repolho

Próxima sobremesa nesse rolê de esclarecimentos: pressão estética. Esse julgamento expressamente baseado na aparência atinge principalmente mulheres (desculpa aí, meninos, mas mesmo que vocês sejam gordos e hostilizados por isso, o patriarcado ainda protege mais vocês do que qualquer menina gorda) e atinge todas as áreas da vida, desde o mercado de trabalho até a vida amorosa.

Mas aqui, minhas balinhas, a porca torce o rabo. Meninas magras também sofrem com pressão estética. É imprescindível entender que o modelo padrão de beleza é inalcançável por meros mortais como nós, que vão para o trabalho, para a aula, que cuidam de filhos, que não tem tempo ou não querem passar maquiagem de manhã. É impossível viver com a beleza padrão sem viver para ela. Vocês me entendem? Particularmente, tenho um interesse nas irmãs Kardashians mas entendo que não há como ser como elas sem viver para isso. A dedicação de tempo, esforços e o investimento passam de tudo o que eu tenho.

ballet

Essa sou eu voltando para casa depois do ballet.

Se você tem muito peito, é vulgar, deveria se cobrir. Se você tem pouco peito, deveria pensar em cirurgia plástica. Diminuir a barriga, ajeitar o nariz, malhar a perna, não ter celulite (ai gente, por favor, quem não tem celulite?), tentar tirar as estrias… Tantas coisas para poder entrar em algo que é reproduzido em outdoors, páginas de revista e programas de televisão. Tantos tratamentos de imagem, boas iluminações e profissionais em volta de uma aparição, uma foto. E nós, bitoladas com essa ideia de beleza pífia, tentando fazer o máximo para conseguirmos nos sentir bem com uma foto direto da câmera do celular e com alguns filtros para o Instagram. Não acho que seja errado se sentir bem por isso. Acho errado se sentir bem por isso.

Entendemos isso, então? Pressão estética afeta todo mundo (inclusive os meninos mas, de novo, mais as meninas). Agora vamos a próxima doçura do rolê: a gordofobia. Quem aqui já ouviu “ai, mas eu também sou julgada por isso” ou “nossa, isso está na tua cabeça”? Levante a mão e venham aqui sentar na nossa rodinha. Mamãe vai contar uma coisa: isso é pressão estética, amiga. Não é gordofobia. Não está dentro da minha cabeça.

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Sofrer de gordofobia é ir ao oftalmologista e sair com uma receita de dieta. É ser desvalorizada no âmbito médico por ser gorda. Não poder viajar de avião porque a cadeira é pequena ou passar o desconforto de ter que pedir por um extensor de cinto de segurança. Vocês sabem o que é isso? É horrível. É humilhante. Trancar na catraca do ônibus, sentar em um daqueles “bancos para obesos” que ainda são pintados de outra cor e ouvir coisas como “caberiam três pessoas ali”. Bom, claramente não cabem porque existe uma pessoa ali que está tentando se diminuir ao máximo para poder continuar vivendo. A gordofobia faz com que a taxa de mulheres gordas promovidas no mercado de trabalho seja baixíssima.

Entendem meu ponto? Negligência social é uma palavra que anda lado a lado com a gordofobia. Eu me pergunto até quando vamos colocar a palavra gorda como xingamento e magra como elogio. Gente, não faz sentido. Não existe problema em ser magra ou gorda, por que essa diferença então?

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Só relembrando: pressão estética e gordofobia são diferentes. Ambas existem. Ambas destroem pessoas todos os dias. A existência de uma não invalida a existência da outra. Estamos conversados?

Bem-vindos a abril. Mamãe ama vocês.

Bye, internets.

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Atividade física, Body Positivity

Ela é gorda!

Oi, cocadinhas. Cês estão doces? Oxe, eu to 😀 Essas semanas foram loucas (muito mais que o normal) e eu, literalmente, não tive de chance ou energia para sentar e escrever. Cês sabem que mamãe bolinho está se esforçando, né? Então tá.

O ano nem começou e já teve menina plus size causando na mídia #orgulho. Cês ouviram falar da Lizzy Howell? Bom, se não, deixa eu contar. Lizzy tem 15 anos, é americana, bailarina e apareceu em revistas como a Teen Vogue, People e Elle. Sabe por que? Porque ela decidiu não deixar o estigma do corpo gordo destruir a vontade dela de dançar. Mas, daí, chamo a atenção de vocês para o fato de que a Revista Boa Forma deu ênfase ao fato de que Lizzy tem hidrocefalia. Não me entendam mal, não estou dizendo de maneira alguma que não devamos prestar atenção na doença. Devemos sim, mas não dessa maneira. O vídeo não foi um viral porque ela tem hidrocefalia e sim porque ela é gorda.

turning monday¿ #ballet#turn#balletdancer#dancer#foutte

A video posted by Lizzy 🤘🏼 (@lizzy.dances) on Nov 21, 2016 at 4:02pm PST

 

Chego ao ponto central aqui: por que é necessário explicar o peso dela? Por que é necessário justificar isso? Ando me aprofundando mais nesse negócio de gordofobia para não ficar só em achismos e experiências próprias. Percebi que esse é um mal entranhado na sociedade e quase não percebemos. Um fato muito triste: o corpo gordo não pertence a lugar nenhum. Logo, não pode se destacar de qualquer maneira.

Volte alguns meses e tentem lembrar da menina gorda que fazia yoga, ou da menina gorda que é capa da Playboy ou qualquer outra coisa assim. Todas elas, e enfatizo, todas elas, foram testadas, com a saúde posta a prova. Essa coisa da saúde está ficando velha, tá? Vamos parar. Vou ainda fazer todo um texto explicando que a mesma doutrina que fala que ser gay é errado, que mulher precisa ser submissa e tudo isso, foi a mesma que fez o corpo gordo ser um pecado. Então, chegou a hora de abrir mão desses preconceitos fantasiados de preocupação.

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Lizzy não é incrível porque ela é gorda e dança. Ela é incrível por dançar. Tanta gente aí com dois pés esquerdos e nenhum senso de ritmo… Outro grupo que me chama bastante a atenção é o Pretty Big Movement, totalmente formado por mulheres plus size. Você não merece um biscoito por dizer “se movem tão bem para meninas gordas”, certo? Você só está escolhendo ser panaca e nessa família de doces, nós não concordamos com isso.

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Então, meu conselho dessa semana: tente não deixar o seu corpo ou a pressão social impedirem você de fazer algo. O cabelo é seu, a roupa é sua, o corpo é seu. Quer dançar? Bora! Nadar? Tamo junto. Jogar xadrez? Fazer pintura a óleo? Posar nua? A gente se ajuda ❤

E por último: viu que tem algumas coisas mudando? Sou eu, mãe bolinho, atualizando as coisas. Ainda está sendo complicado postar toda semana mas hey, cê confia em mim, né? Eu confio 😀

bye, internets!

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Metas

Metas de 2017: falhando

Essa sou eu, segunda semana de 2017 e já falhei em cumprir uma das minhas metas para 2017: postar no blog uma vez por semana durante o ano inteiro. Mas cês acham que isso vai me derrubar, logo eu que já estou sempre no chão? Não vai mesmo. FELIZ ANO NOVO, MINHAS DOCES INSPIRAÇÕES.

raven

Como foram as festas para vocês? Fizeram coisas legais? Eu espero que sim, porque eu tomei muito suco, joguei, acho que em algum momento viajei com a família (só não consigo lembrar quando foi) e montei quebra-cabeças (que também é uma meta minha para 2017). Como já deve estar na cara, vou falar sobre metas para 2017 – se ainda era segredo para alguém, sinto muito.

Vocês traçam metas no começo do ano? Vou dizer que não sou uma pessoa que normalmente faz isso. Durante muito tempo, inclusive, fugi de tudo o que parecesse um compromisso e isso inclui metas. Então, era como se eu decidisse fazer algo e “meh” se desse certo e “meh” se desse errado. Minha psicóloga tentou com muito afinco mudar isso. E tenho tentado mudar, de pouco em pouco.

meh

Só que eu me liguei de uma coisa: no meu caso, eu tinha medo de me comprometer e falhar, então nem começava porque f*** it. Quantos de vocês também são assim? Não adianta mentir, sei que tem gente que é igual a mim nesse quesito. E daí se der errado? Vai ser ruim? Oxe, vai. Porque é sempre ruim estar errada ou não conseguir algo que a gente tava com muita vontade de ter. Parece que nós esquecemos que nem sempre tudo estava ali pronto para ser nosso, né? Que com o passar do tempo, a gente vai aprendendo coisas novas e alcançando novas conquistas. Depois que as pessoas aprendem uma coisa, do tipo, qualquer coisa, fica supercomplicado começar algo do zero. Igual quando tu sabe falar uma língua estrangeira fluentemente e vai aprender mais uma. A FRUSTRAÇÃO DAS PRIMEIRAS AULAS. Sabe por que? Por leva A SHIT TON OF TIME para ser fluente em algo e isso dá tempo para o nosso cérebro esquecer que na primeira aula nós mal falávamos “eu como pão” direito. Mas isso passa. A mesma coisa com metas.

sucesso

O mais difícil continua sendo o primeiro passo. Então, para começar o ano bem – mesmo já tendo falhado – vou fazer o melhor que conseguir das minhas metas que são:

  • Postar uma vez por semana até o final do ano;
  • Editar e publicar vídeos;
  • Estudar sociologia e montar a tese de mestrado;
  • Fazer todos os testes de proficiência;
  • Fazer algum curso na minha área;
  • Ser mais forte que meu DDA e montar 20 quebra-cabeças até o final do ano;
  • Ler 24 livros;
  • Assistir mais de 6 filmes no cinema;
  • Aprender um pouquinho de alemão;
  • Me aceitar mais e passar isso para outras pessoas;
  • Prestigiar marcas plus size feitas por mulheres;
  • Trabalhar em um trabalho voluntário;
  • Viajar sozinha;
  • Conhecer muitas pessoas.

Fácil, né? Em dezembro volto aqui para fazer o balanço dos meus sucessos. Contem as metas que vocês escolheram para 2017 e a gente pode se ajudar. Até semana que vem!

mad-bants

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Body Positivity

Sentir-se bem e toda essa pressão

Quero dizer que pensei muito antes de começar a escrever esse texto. Tanto que deixei uma semana em branco porque tudo parecia meio meh. Então, mãos para o alto, novinha (nada como um pouco de funk para animar) e vamos ao que interessa: sentir-se bem com o próprio corpo. Talvez eu seja um pouco mais séria dessa vez, mas não desiste de mim.

Para quem me conhece mais, sabe que eu amo a ideia e o conceito de mulheres com coragem e que fazem coisas boas por outras pessoas. Meu instagram é cheio de senpais que me inspiram muito (inclusive, flashback para alguns meses atrás quando uma senpai alemã curtiu uma foto minha e eu chorei. E mandei prints para os amigos, com o nome dela circulado em vermelho e tudo). E é sobre essa inspiração que quero falar.

flor

Esse mês não foi um mês fácil pelo simples fato de que eu não estava “em paz” com o meu corpo TÃN TÃN TÃÃÃÃN. Levei algumas semanas para perceber que algo estava realmente me incomodando porque havia uma voz dizendo “nãããão, nope. Nem pensar. Você fica falando para as pessoas se amarem e agora vai ficar aí, remoendo? Not even over my dead body!”. Obrigada, cérebro. Então ontem vi minha musa, Tess Holliday, falando que estava super nervosa por mostrar a barriga em um desfile.

tess

TESS. BLOODY. FUCK. HOLLIDAY. fica nervosa com o próprio corpo. Aí eu digo: quem somos nós, meros mortais? Quando comecei a falar sobre gordofobia na internet, eu mal sabia me situar em termos que dirá encontrar o meu lugar para falar disso.

Com essa mudança de realidade, isso de ficar de boas com o corpo e tal, é como se uma força nos forçasse a ficar sempre bem. Mas, não me entendam errado, por mim todo mundo seria feliz. O lance é: por que ficar mal por não estar feliz? Mó close errado, galera. Então, se ninguém te disse isso ainda, vem aqui:

Não precisa ficar bem o tempo inteiro. Sobre qualquer coisa, mesmo. Nem sempre a faculdade vai ser legal, ou o trabalho ou o próprio corpo. Vão haver dias que vai ser bem ruim. Do tipo “por que eu fiz isso?” e muitos momentos de ugh. Só que está tudo bem. Pode ficar na fossa uns dias. O lance é: não abraça ela. Deixa ela ali pra lembrar que “olha só, minha vida não é só essa selfie bonita no instagram” ou melhor “minha vida é bem mais que aquela coisa”, porque isso vem nas reflexões da bad.

yes

Procurem as inspirações de vocês e me contem! Me chamem no inbox ou qualquer coisa assim e vamos trocar umas figurinhas sobre amor próprio e um pouco de BAWS ATITTUDE.

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Body Positivity

Festividades e a dieta: como lidar?

Vamos começar com o fato que: o Natal é o meu feriado favorito. Tipo, a vida inteira. Era a época de fazer biscoitos, me sujar toda de farinha, empacotar panetones para todo mundo e ficar muito mais tempo com a minha família. Isso e ainda toda a magia de ornamentos coloridos, tradição e presentes. Nesse momento tem uma árvore de Natal completamente de glitter dentro do meu quarto (invejosos dirão que ela sempre esteve lá, mas eu não ligo, agora ela está bem limpinha e cintilante).

light

Não é toda a galera que criou as mesmas memórias que eu e entendo completamente. O final de ano e todas as festividades envolvem muita coisa e uma grande montanha-russa de emoções, normalmente ligada a encontrar com mais partes da família (o que também era completamente louco, porque o pessoal aqui é uma mistura de húngaros, alemães e italianos). Entretanto, vou dizer que nem sempre foi completamente bom. Lembro bem claramente de uma vez que respondi para alguém que “troquei meu namorado por anfetamina”. No meio da ceia, na frente de todo mundo. Minha mãe é a prova viva (que, na época, só riu porque era o melhor a fazer).

urso

Então, pensando nisso, resolvi falar sobre aquilo que inevitavelmente acaba acontecendo em algum ponto da nossa vida: a conversa sobre dieta durante a refeição. Como já falei milhares de vezes, sou inteiramente a favor da alimentação saudável, só que aqui existe um ponto interessante. Por que falar sobre reduzir a comida enquanto há um monte dela na nossa frente? Não é sobre comer ou não comer mais, é sobre culpa. Sobre ver o alimento como algo ruim, que depreda o corpo e estraga a alma, o que é, basicamente, a base da gordofobia. Uma explicação bem breve de como esse preconceito surge sendo que as pessoas assimilam comer com culpa, com engordar, com desleixo, preguiça… E aí por caminhos bem mais horríveis. Em inglês existe a expressão “guilty pleasure” e eu fico meio “por que comer é um guilty pleasure?”, não quero me sentir culpada por me alimentar e comer coisas incríveis.

Minha mãe sempre conta a história de um jantar beneficente que ela e meu pai compareceram e as esposas (foco aqui, pois essa é mais uma forma de deixar mulheres encoleiradas e comedidas. Triste, mas além de lutar contra gordas e gordos, a sociedade AINDA não cansou de lutar contra mulheres) nos outros casais quase não comiam e sempre se explicavam pelo o que serviam. No final da noite, minha mãe quase não havia comido. A pressão é latente nessas situações, é horrível. O mesmo acontece no Natal e no Ano Novo. Por que as pessoas precisam se sentir culpadas pelo o que comem se os outros não se sentem mal pelo o que falam?

Moral da minha história: se você quer comer, coma. Use aquele look maravilhoso, glitter nesse corpo e aquele perfume delicioso (ou a roupa que te faça feliz e bonita/o, sinceramente). Se você não quiser comer, tudo bem. Só não dê aos outros o poder das suas escolhas. A maioria das pessoas não sabe nem o que faz com a própria vida, como eles podem saber o que é melhor para você?

beauty

E a melhor maneira de lidar com isso? Minha dica é: não seja agressiva/o se não for necessário (LET’S BE REAL, às vezes não rola a educação), mas tente contornar até se sentir completamente segura/o para confrontar de uma maneira lógica. Dói? Nossa, dói muito. Já deixei de jantar diversas vezes por culpa de comentários de parentes. Hoje? Tomo um gole de vinho e “eu só acho engraçado que”, porque me sinto segura para mostrar quão errado e prejudicial esses comentários podem ser.

A internet pode ser um grande grupo de suporte quando você encontra as pessoas certas. Nós somos as pessoas certas. Ajude os amigos que ainda não estão prontos para serem confrontados e crie boas memórias, mesmo fora de datas festivas. Já diz a música Border, do Years & Years: My heart will start to shine and I will be alright.

Eu acredito em você. Não precisa ficar nervosa/o um mês antes. Se precisar, pode vir falar comigo em qualquer uma das minhas redes. Certo?

Bye, internets.

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moda

Maiôs e biquínis: onde encontrar

Ah, o verão. Aquela época do ano em que a gente evita o transporte público ou as interações sociais que precisam de contato (logo, ar condicionado sempre e amar as pessoas de longe). Quero falar sobre dois tópicos hoje, onde encontrar biquínis e maiôs maravilhosos para esses corpos gostosos que vocês tem e sobre AI MEU DEUS, É PERÍODO DE PRAIA #socorro #morta #HELP.

Pode não parecer, mas eu sou levemente nerd, dos clássicos, que assiste documentários (big ol’ nerd, rite m8? such #YOLO much #cool). Faz um tempo que eu assisti um sobre a beleza através do mundo e uma coisa é unânime: a galera vem de fora fazer gravação nas areias das praias do Rio de Janeiro e sempre fala “nossa, brasileiro, eles não tem vergonha não. Não importa o corpo, eles estão lá”. Eu nunca estive no Rio durante o dia (ou pelo menos fora do aeroporto), então não sei muito sobre a praia tirando o que vi na TV, mas posso dizer que sei bastante sobre corpos na praia.

O verão pode ser uma época horrível para todo mundo que ainda não está de boas com o próprio corpo e também super assustador. Então, do ponto de vista da menina que já foi de calça comprida, camiseta e ficou embaixo do guarda-sol por horas quando podia era estar pegando jacaré (isso é uma expressão do brasil inteiro?) com meu irmão mais novo HAVING A BLOODY BLAST, mas não. Ainda não era o meu tempo. Se vocês ainda não se sentem seguras e seguros para levarem esses pedaços de arte que são os corpos de vocês para a piscina, para a praia ou usar um short, tudo bem. Só lembrem que, precisando de um apoio moral, é só passar na minha frente que eu bato palma pra vocês e ainda ofereço beijo na boca PORQUE VOCÊS SÃO LINDOS E MEU CORAÇÃO BATE MAIS FORTE POR GENTE LINDA.

palmas

Esse vai ser o primeiro verão que eu vou louca nessa coisa de praia, piscina, balde (que?). Tenho quase 24 anos e desde os 14 não tinha levado minha obra de arte para pegar aquela vitamina D, até o início desse ano. Logo, praticamente 10 anos. Fui pra Flórida com 19 anos, no meio de um monte de problemas com depressão e ansiedade, mas se tem uma coisa que eu não podia deixar acontecer era: não entrar no mar. Era inverno, mas e daí? Necessário molhar meus pés, fui pra Patagonia e o frio era de -6 e lá estava euzinha, lado a lado com pinguins e pedindo para morrer sem os dedos do pé no mar.

penguim

Mandei fazer um maiô, o que parecia o mais lógico para mim. E eu ainda super defendo o fato de mandar fazer roupas, só que pode ser um pouco complicado encontrar alguém para fazer (e direitinho) dependendo de onde você mora. Então separei alguns lugares que andam ganhando meu coração.

A Posthaus é um dos maiores e-commerces de moda plus size e 80% das minhas roupas vem de lá (os outros 20% se dividem em brechós da Liga contra o câncer, o plus size da Marisa, da queridona Carla que tem a Miranda e de meninas que se formaram em moda e gostariam de desenhar, cortar e costurar para mim por um preço massa). Eles ainda estão meio fraquinhos na área de biquínis e maiôs para esse ano, mas, em defesa deles, vou dizer que pode melhorar com o passar do mês. Me apaixonei por esse maiô porque 1) preto 2) FRANJAS!!!!11!

Um momento para apreciarmos a beleza dessa modelo que não me deixa quase prestar atenção na roupa.

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Marisa também anda um pouco devagar com o lance moda praia, porém, as opções são bem coloridas e qualquer coisa que pareça uma peça da harness já tem o meu interesse, então OLHEM ESSE TOP

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Fiquei um pouco chocada com a Ashua, ainda mais por ser uma marca da Renner, não ter nada sobre moda praia. Vou ficar ligada no site deles, porque a marca cria uma linha curve size tão elegante e por um preço bem justo, quero ver o que eles prepararam para o verão na beira da piscina. Falando em elegância, se você não é como eu e consegue ficar de boas na beirada da piscina sem querer entrar e brincar com as crianças, a biquiniavulso.com tem uma série maravilhosa de maiôs que passam a ideia de quem sabe o que quer da vida. Aquela mulher que toma mimosas nas espreguiçadeiras, sabe? AINDA NÃO É MINHA REALIDADE, PODE TRAZER AS BOIAS.

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Agora duas novas paixões na minha vida: Surpreenda Store e And Roll Store. Sabe aqueles biquínis do Tumblr? Essas lojas têm porque as fotos do Instagram, girls. As fotos valem a pena. Na Surpreenda você encontra muitos modelos e pode montar a sua escolha de parte de cima e de baixo. Dá para passar horas escolhendo o que fica mais perfeito com o que.

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Eu amo monocromático, então já ofereço minhas desculpas pela quantidade abusiva de preto e branco nesse post.

A And Roll Store é uma loja que conheci no Facebook e que trabalha de uma maneira muito legal. Ao invés de fazer milhares de peças e ficar administrando a venda delas enquanto correm o risco de acabarem não vendendo, existem ciclos. Esses ciclos abrem uma vez por mês, aí todo mundo pode escolher o que quer (em tipo, um número específico, sem chegarem a 50 peças o ciclo fecha, por exemplo). Aí vem no seu tamanho e direto para sua casa. Amor, né? E TEM BIQUÍNIS E MAIÔS DE SEREIA send help #me. E, sério, essas meninas alternativas das duas últimas lojas são #goals #crush

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Se vocês conhecem uma galera que faz essa moda praia e que seja incrível, me contem! Vamos deixar a moda acessível para todo mundo e sem medo de se sentir excluído. Esse post não tem nenhum sponsor (não como se eu tivesse algum, mas só para informar que é minha opinião mesmo).

Bye, internets!

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