Beleza, Body Positivity, plus size

O valor da mulher gorda

E aí, meus pedacinhos de melancia, suavão? Suavíssimo aqui. Preciso que vocês me acompanhem durante um raciocínio para conseguir explicar como cheguei aqui hoje, escrevendo esse texto. Minha mãe mandou eu lavar a louça e fiz uma playlist de mulheres incríveis cantando sobre a vida delas e a vivência que elas têm para compartilhar. Eu odeio lavar louça, então precisava de ótimas músicas.

Aí vocês sabem aquele momento que a gente começa a dançar na frente da pia como se fosse parte do ballet do Faustão? Com glitter no corpo, naqueles degraus e tal (não sei se o Faustão ainda tem o ballet, faz muito tempo que não assisto tv, mas vocês entenderam), o espírito da militância bateu na minha cara. Escutando Whitney Huston e dançando como se estivesse nos anos 80, eu percebi: a mulher gorda não tem valor na sociedade. Continuar lendo

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Hiperfeminilidade gorda

E aí, meus bolos de brigadeiro cremoso? Doces? É nois. Enquanto procurava o material de pesquisa para esse texto, descobri que os saves do meu Facebook giram em torno de só dois temas: receitas e referências sobre a luta gorda. Sério, só isso. Acho que isso diz muito sobre mim. O que tem no saves de vocês?

Sabem aqueles momentos que tá tudo bem aí cês leem uma coisa e a vida muda, a Adele começa a cantar na mente de vocês “this is the end, hold your breath and count to ten” e cês sabem, no fundo do coração que aquela informação vai mudar a visão de vocês pra vida. Isso aconteceu comigo no último mês quando me deparei com essa reportagem da revista americana Dazed.

Por que a hiperfeminilidade é esperada de mulheres gordas? Li tudo e pensei “bom, precisamos fazer uma pesquisa” e nisso começa um trabalho de semanas atrás de conceitos para expor aqui. Procurei respostas em tópicos do reddit, em livros de autoras sobre positividade corporal e é uma verdade: o padrão indica que se você é gorda, “deve ser, no mínimo, ajeitada”. Aqui é onde tudo começa a ficar muito louco, muito rápido.

 

Quem me conhece há mais tempo sabe que nem sempre eu aceitei meu corpo e a forma dele. Então, não é preciso ir muito fundo na internet para encontrar espaços onde meninas e meninos se abrem sobre seus transtornos alimentares e eu sabia onde encontrar grande parte desses espaços. Uma das coisas que sempre me chocava era o fato de as pessoas dizerem que tomavam vários banhos por dia para se sentirem limpos, porque a gordura do corpo parecia dar o efeito de “sujo”.

Acabando o flash back e voltando aos dias atuais, parece que encontrei uma outra versão dessa mesma teoria. Meninas gordas “precisam” ser bem arrumadas, “femininas”, “delicadas”, “limpas”… Não me entendam mal, eu amo mulheres que exploram o feminino, a sensualidade, que se sentem bem em cima de um salto alto, sem sutiã, com o rosto maquiado ou de moletom. Mas nunca vou obrigar elas a nada, essa é uma decisão pura e inteiramente pessoal, é uma expressão de si para o mundo, entendem? Então, por que, mulheres gordas precisam acatar uma norma social se elas já são, de qualquer maneira, hostilizadas?

Eu explico! O corpo gordo é frequentemente ligado à questões relacionadas com preguiça, descontrole, ansiedade e desorganização. Então, antes mesmo daquela menina gorda que acabou de entrar pela porta da sala de reuniões abrir a boca, ela já é desleixada por ter o cabelo não “domado” ou o delineado dos olhos bem feito.

Não é complicado encontrar fotos de meninas magras (normalmente brancas, vamos encarar a realidade aqui, pessoal), com aquele coque mal-feito, um moletom enorme e uma maquiagem leve. Isso é errado? Não, gostaria de estar assim e andando na rua, só que quando eu faço isso, sou considerada pee wee da cabeça. O errado mesmo é não terem os mesmos estilos de fotos para meninas gordas. O Pinterest (onde passo grande parte dos meus dias online) é uma grande fonte de inspiração para a moda, porém, recentemente, percebi que só vejo meninas gordas “montadas”. Lindas, obviamente. Mas quero meninas gordas de moletom, tênis, short curto e blusas largas, entendem?

A indústria da moda já disse que “gordas usam decote v” ou “roupas escuras são melhores para corpos maiores”, só que isso é tão blassé, tão anos 90 que não me conformo em ainda aceitarmos que a hiperfeminilidade gorda seja exigida. Amo vestidos rodados, saias godê, corte princesa (ainda chama assim? cresci com muitas pessoas idosas) e todas essas coisas, mas isso não diminui o amor por moletons grandes e tênis.

Ninguém deveria ser obrigado a nada quando o quesito é moda, maquiagem ou não, paetê ou renda, nada. Defendo o lazy look para meninas gordas, coloquem essas caras no sol, confiança no look de vocês e comandem o mundo, nada de ficar na concha! Pode ser complicado no começo (comecei a usar blazers esse ano e no início achava que parecia o Ken pianista, mas estamos aí, com vários blazers), mas vão com calma e sempre. Se o lazy look não é a praia de vocês, tudo bem. Glam up! Se montem, façam um auê e toquem glitter, aí me liguem que eu também vou, amo glitter. O lance é, não deixem que um conceito no qual vocês não acreditam fique podando a galera de tentar novas coisas. Isso é blassé, repitam comigo: B L A S S É.

Chuva de purpurina em vocês, meus doces!

bye, internets!

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