Todos os posts de Tai Hessler

Jornalista, gorda, apaixonada por música e comida!

Sobre crueldade: os outros e eu

Oi, meus pirulitos em forma de coração. Como cês tão? Suavão na quebrada? Show! Bora começar. Eu tinha começado um texto – que logo logo aparece aqui – sobre fiscais de prato alheio, falando sobre a mesquinharia e a crueldade desse ato, mas DAÍ, xacaplau, tapa na minha cara. Tive uma epifania (“I am the one I should looooooooooove in thiiiiiiiiiiis world” desculpa, é muito tarde da noite ou muito cedo da manhã, cê que tá lendo decide aí, mas Epiphany melhor música).

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O nome dela é música gordofóbica

Oi, meus picolés de limão. Suavão? Suavão. Pra ser sincera, eu não queria tá aqui não, falando sobre isso. Mas tem várias coisas que precisam ser apontadas antes de eu começar esse texto, dentre elas:

  • ninguém me pediu ele, então eu só tô aqui porque eu gosto de sofrer
  • me dá raiva quando as coisas são erradas e sinto a necessidade de falar sobre elas
  • podia ficar escrevendo fanfic gay de kpop que nunca vai sair do meu drive, porém, isso vai mudar a vida ou a realidade de alguém? acho que não
  • acho que esse texto vai? não, MAS EU TÔ IRRITADA. então.
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Espera que tem mais!

Oi! Feliz 2019, meus bolinhos. Tudo de mais maravilhoso para vocês. Conseguiram sobreviver os últimos dias de 2018 com o que nos restava de força e dignidade? Porque eu fiz o meu melhor para isso.

No início do ano passado, escrevi o texto “17 coisas sobre 2017” que foi um passo importante para conseguir ver o que fiz em 2017. Vocês fazem esse tipo de balanço? Porque, bom, eu faço. E é necessário que eu fale brevemente sobre 2018 porque não consigo lembrar um ano que tenha sido tão louco (e vamos colocar um adendo aqui que já teve ano que me larguei daqui pra Flórida em depressão, que atendi os Correios durante as Olimpíadas e que voltei de São Paulo com o rabo entre as pernas e – basicamente – desisti de morar lá. Então, pensa na loucura que foi esse ano).

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O mito da beleza: KPOP edition

Oi oi, minhas chocopies (hoje o oi é temático porque cês estão aqui pela qualidade do humor produzido por mim. É verdade esse bilhete)! Seguindo com o Setembro Amarelo, quero falar sobre algo bem pessoal que pode encontrar morada no coração de vocês também: a mídia geral não representa meu corpo como possível de desejo. Esse texto, na real, é uma introdução, então, leiam. Vale a pena.

Fora a produção para cinema, televisão e revistas, que lidam, normalmente, com um conteúdo mais visual, toda criação e publicação de conteúdo é uma forma de mídia. Isso se estende para a música, para a literatura, para as artes plásticas e visuais. Nessa linha, quero comentar um pouco sobre como gostar de KPOP afeta minha vida – nem sempre de um modo bom. Acho que gosto de KPOP há uns 6 anos? Talvez mais, entre idas e vindas. Falei sobre KPOP, inclusive, no meu trabalho de conclusão quando estava me formando em jornalismo. Entendam que: eu estudei a formação de persona que músicos (de todas as áreas) usam para lidar com a mídia e atrair o público. Isso é, basicamente, como olhar atrás das cortinas da produção midiática. É tipo: vocês sabem que as coisas nos filmes de terror são mentira, né? Mas isso não impede que vocês se assustem, né? Exatamente. SEGUREM ESSE PENSAMENTO ENTÃO. Quando apresentei minha pesquisa, questionei até quando o padrão usado na formação de ídolos de KPOP aguentaria nesse mesmo modelo. E, nem 3 anos depois, talvez estejamos vendo os efeitos desse modelo na qualidade de vida dos ídolos que vivem dele. Vou avisar uma coisa e espero que vocês se lembrem disso: é mais fácil ser “perfeito” sem acesso a internet (ou sem ser vigiado como no Big Brother o tempo todo).

É tão bonito que chega a ser errado, né?

Nesse texto quero falar, principalmente, de duas coisas: como a percepção do perfeito afeta quem está no holofote e como isso afeta quem está fora dele também. A ásia possui diversas coisas culturalmente únicas que me preocupam um pouco: a busca da pele branca, a busca da magreza extrema, as cirurgias plásticas… Eu sei que isso acontece no ocidente também, mas talvez através do gate keeping de informação, eu sinta que isso é mais forte lá do que no Brasil, por exemplo? Nunca fui para a Ásia, se eu estiver errada, por favor, me corrijam.

Cês não ficam um pouco mexidos com quão padrão essa foto é?

Na mídia, principalmente coreana, as pessoas são “iguais” (não como o comentário racista e sim sobre padronização de imagem): brancas, magras, com o mesmo tipo de cabelo, o mesmo tipo de atos, as mesmas respostas… É tudo muito padronizado. Porém, nos últimos tempos, parece que algo está mudando. Ídolos, tanto meninos quanto meninas, parecem estar notando que há algo errado e começaram a falar sobre isso. Distúrbios alimentares, abuso de álcool, drogas… Acho que uma dos vídeos mais chocantes que vi é uma passagem do programa Take Care of My Refrigerator (JTBC) que Jimin, integrante do BTS, fala sobre como ele precisava parar de beber e que houve um tempo em que ele comia 1 refeição real a cada 10 dias (cês podem ver o vídeo em coreano com legendas em inglês aqui).

10 dias. 1 refeição.

É bom lembrar que o menor deles é quase 10cm mais alto que eu.

Há algumas semanas li um relato no qual Ailee, uma vocalista incrível, falava que emagrecer de forma extrema estava matando ela, que ela podia estar magra e as pessoas elogiando, mas isso não era nada perto do vazio que ela sentia por dentro (cês podem ler a entrevista em inglês aqui). Cresci acreditando que “se não aguenta, bebe leite” como forma de “ah, se tu quer isso, tem que entender que essas são as consequências”, só que agora, sendo adulta, consigo perceber que há situações que são ridiculamente injustas e ninguém deveria passar por isso. Ninguém deveria ser “obrigado” a mutilar o corpo e a vida para poder caber em um padrão e ser amado. Entendo que vocês podem pensar que ninguém “está obrigando”, mas a pressão é tanta que te tira o ar, vocês entendem? Depois que Jonghyun se suicidou ano passado, toda a minha visão do KPOP mudou (não vou linkar reportagens sobre esse assunto em específico por alerta de gatilho). Não estou dizendo que a “pressão do perfeito” fez isso com ele, apenas afirmando que ela não faz a vida de ninguém mais fácil. Existe um provérbio japonês que diz que o prego que se destaca é martelado. Às vezes, as pessoas só precisam não ser marteladas.

Jjong ♥

Isso nos traz para o outro lado: a influência que isso tem sobre o público geral. A música que é produzida e faz sucesso no ocidente tem um “que” de variada: as pessoas em frente a essas músicas são brancas, negras, altas, baixas, quase nunca gordas mas existe um tipo de diversidade higienizada que faz com que as pessoas se sintam levemente enganadas em sua representatividade. AHAM, EU FALEI MESMO, @ ME. A representatividade midiática para qualquer grupo fora do padrão é podre. É podre e pobre. Mas a gente gosta de ser enganado.

O que me entristece é que – em análise pessoal – o que vi entre fãs de KPOP é uma resposta muito forte ao padrão de beleza coreano. O julgamento pela cor da pele, pela circunferência da perna, pela forma do rosto… Entendo que esse seja um movimento culturalmente comum asiático, porém a tradução desse costume me assusta. Talvez consiga contar nos dedos de uma mão só todas as meninas que conheço que pesem menos de 50kg e vivam bem. Assim como consigo contar na outra mão os meninos com 61kg e mais de 1,70 que não se achem “magros demais”. Porém, a conversão desses números seria assombrosa se compararmos com ídolos coreanos, tanto meninas quanto meninos.

O conceito de beleza também deixa vocês confusos? Porque eu sim

O grande lance da pressão estética é: ela é silenciosa. Claro, há pessoas que vão falar para você emagrecer na sua cara. Porém, os estímulos visuais são tão devastadores quanto, direta ou indiretamente. Lembram do texto da amiga magra? Tipo isso. Você se sente bem, aí começa a ficar muito fã de algum grupo. Aí vê as meninas e meninos passando por dietas malucas, que não fazem o menor sentido e começa a se perguntar “eu deveria fazer isso? olha, eles continuam vivos, talvez não seja tão horrível” e tudo pode degringolar desse ponto (acreditem na pessoa que vos fala, porque eu sou naturalmente não pálida porém, de tempo em tempo, quando baixo a guarda, me vejo querendo ser branca lívida e só recentemente percebi de onde esse desejo vem).

Em algum momento da história fizemos a besteira de atrelar beleza à magreza. Que momento pífio, que momento esdrúxulo. Toda nossa produção midiática gira em torno da adoração do belo, do magro, do sem cicatrizes, do polido e do branco. Quão estúpida é essa decisão, sabem? Não consigo lembrar UMA PESSOA SEQUER sem cicatrizes, ou sem nenhuma mancha na pele. Mas vou falar sobre isso na semana que vem, então guardem essa indignação comigo.

sdds Wendy do debut

Não sou a pessoa mais positiva da vida (quem me conhece, sabe), porém há sempre como aproveitar as partes boas de uma situação e tentar mudar as ruins (minha mãe chama de “complexo de Poliana” porém minha terapeuta nunca disse nada, então). Escutem música, dancem pela casa, cantem em coreano errado – ninguém liga, quase ninguém fala português certo também. Só não sejam cruéis consigo. Tudo o que acaba na mídia tem uma curadoria, um tratamento de foto e uma história preparada por trás. Creio que a solução para QUASE TUDO é aceitarmos ser gentis. Então, essa semana, eu peço:

 

Sejam gentis consigo e com os outros.

 

A maratona do Setembro Amarelo continua semana que vem e, não esqueçam: se vocês precisarem de ajuda imediata, não hesitem em falar com outro adulto (ou com um adulto responsável, caso cês sejam babies ainda). Se a coisa ficar complicada, o CVV (Centro de Valorização da Vida) está sempre disposto a ajudar através do 188.

 

Eu acredito em vocês e espero que vocês acreditem em mim. Mamãe bolinho tá aqui pra isso.

 

see ya, internets.

Ninguém está sozinho!

Oi, minhas bisnaguinhas com doce de leite. Suave? Suave. Faz tanto tempo que eu não apareço aqui que nada faz sentido LOL porém, bem-vindos ao mês de prevenção ao suicídio e doenças psicológicas. Esse é o começo do setembro amarelo e dessa vez eu quero fazer tudo com muita seriedade.

Nunca vou dizer para ninguém que ser uma menina gorda é fácil, nem bêbada de cair (o que seria bem impossível) ou alucinando, porque eu entendo que não é fácil. Se olharmos de 10 anos para cá, talvez estar viva em um corpo gordo tenha ficado menos difícil, com o surgimento de mulheres incríveis em posições de destaque ou com as marcas que produzem plus size se tornando mais presentes no cotidiano da menina “normal”. Pessoalmente, fui uma pessoa que mudou muito com essa apresentação do corpo gordo para o mundo e consigo lembrar direitinho a primeira vez que vi uma foto da Tess Holiday, ou quando comprei roupas no mercado (mas eu estava na Flórida, o que deixa as coisas um pouco complicadas), ou quando me falaram sobre modelos plus size: era como se o mundo tivesse aberto uma janela pela qual eu poderia ver um pouco da vida que não tinha acesso, sabe?

Porém, recentemente, isso não é o bastante. Vocês sabiam que o suicídio é quarta maior causa de morte entre os jovens brasileiros? E que em 2017 essa taxa de morte aumentou em 12%? Isso sem contar os índices de gordofobia médica que vão punir sem pena alguma as pessoas que seguem vivas. É um patamar triste. Não vou ser hipócrita e dizer que não há uma higienização da beleza quando ela chega até nós através de grandes mídias. A capa da Cosmopolitan é importante para a representatividade, porém, eu ando me perguntando até onde essa representatividade é ativa na mudança de algo social, porque é triste ler os comentários em qualquer foto de uma mulher gorda que tenha um pouco de fama. É triste.

Há pouco tempo tive uma conversa com uma amiga e falei sobre como as redes sociais tinham deixado o “jogo da beleza” ainda mais difícil para todo mundo. Antes, a gente via uma revista, um comercial na TV e pensava “minha nossa senhora essa mulher é linda demais, como pode isso” mas algo, mesmo que lá no fundo, nos dizia que havia toda uma preparação para aquela mulher ser assim, ela não acordou assim e foi fazer a novela. Aí, agora, enquanto estamos no transporte público, com sono, fome e já irritadas (muitas vezes), aquela colega da faculdade posta a selfie mais bonita que a gente já viu na vida, tomando café da manhã, com o cabelo ajeitada e uma toranja. GENTE, QUEM COME TORANJA, EM NOME DE JESUS? NINGUÉM COME TORANJA. Acho errado a colega postar a selfie? Não, inclusive, posto selfies sempre, incentivo vocês a postarem também, mas isso nos traz a um termo que nunca achei que ia usar na vida real: gate keeping.

Gate keeping é um termo que a gente aprende (ou deveria aprender) enquanto está na faculdade de jornalismo. Normalmente, é o efeito que a edição do jornal/revista ou da mídia em geral tem sobre o que vira notícia de verdade, porém, nos tempos atuais, pode ser considerado a curadoria que fazemos sobre o que da nossa vida pessoal acaba na internet e o que não acaba. E isso, sinceramente, acaba com a nossa cabeça mesmo que involuntariamente. As pessoas, de repente, parecem todas felizes e bonitas o tempo todo, exceto a gente. Se você, lendo esse texto agora, se sente assim, a mamãe bolinho vai te contar uma coisa: eles PROVAVELMENTE também se sentem sozinhos e nem sempre bonitos e bonitas.

Mas eu entendo. Sério, eu te entendo. É complicado ser positiva quando o mundo, abertamente, odeia teu corpo. Quando o mundo diz que você viveria para sempre se fosse magra, se não comesse isso, não comesse aquilo. Quando a sociedade te fala que para ser amada você precisa de quilos a menos, curvas a mais ou que para ser validada pelo mundo você não pode ser quem você é atualmente. EU ENTENDO. E eu, sinceramente, sinto muito. Queria que ninguém tivesse que passar por isso, de coração aberto, queria poder defender e educar o mundo para esse tipo de coisa não acontecer.

E essa parte é para todos os amigos e amigas que estão vendo pessoas passarem por isso: vocês não vão conseguir salvar ninguém sozinhos. Eu sinto muito, mas é verdade. Sim, vocês podem ser o ombro amigo, a fonte da mudança, a proteção que essas pessoas precisam. Inclusive, agradeço todas as minhas amigas e amigos que foram essa base para mim, mas a melhor parte sobre a minha base é que eles fizeram o mais certo: me incentivaram (e incentivam) a buscar ajuda. Ajudem os amigos e amigas de vocês a procurarem ajuda médica, qualquer que seja. Terapia, análise, um bom psiquiatra… Não importa o quanto a gente ame alguém, às vezes, eles vão continuar se sentindo sozinhos e precisando de ajuda. Sabem o que falam sobre pessoas que se afogam e carregam quem foi ajudar junto? Então, é mais ou menos isso, porque, às vezes, não vai importar quão bem a gente saiba nadar porque o desespero é maior. Autopreservação também é uma forma de ajudar, okay? Não é fácil, mas é necessário.

Entrando com o pé na porta no Setembro Amarelo, quero dizer que: ninguém está sozinho, mesmo que pareça que sim. Procurem ajuda, encontrem pessoas em quem vocês confiam. Se vocês precisarem de ajuda imediata, não hesitem em falar com outro adulto (ou com um adulto responsável, caso cês sejam babies ainda). Se a coisa ficar complicada, o CVV (Centro de Valorização da Vida) está sempre disposto a ajudar através do 188.

É um mundo assustador aqui, meus docinhos. Mas a gente vai conseguir mudar, de pouco em pouco. Conto com vocês.

 

see ya, internets.

Cartas de uma menina gorda

Olá meus potes de Nutella. Suavão? Suavão. Tô sumida, eu sei. São três semanas sem escrever nada mas é a vida eu não posso nem me defender. Mas, falando sério, tem semanas que a gente fica pra baixo, bate aquele desânimo chato e parece que nada tá indo pra frente, né? Então, passei por essas semanas (e, consequentemente, não consegui criar nenhum texto legal).

Fiz aniversário! YAY, parabéns pra mim! E nisso encontrei uma inspiração para esse texto. Talvez ele seja muito mais pra mim do que pra vocês, mas peguem o que vocês acharem importante e usem, okay? Vai funcionar como um bazar do amor: eu exponho o que aprendi, cês levam o que precisam e passam o que não precisam pra outras meninas e meninos.

Uma breve carta para mim mesma Continuar lendo Cartas de uma menina gorda