Sobre crueldade: os outros e eu

Oi, meus pirulitos em forma de coração. Como cês tão? Suavão na quebrada? Show! Bora começar. Eu tinha começado um texto – que logo logo aparece aqui – sobre fiscais de prato alheio, falando sobre a mesquinharia e a crueldade desse ato, mas DAÍ, xacaplau, tapa na minha cara. Tive uma epifania (“I am the one I should looooooooooove in thiiiiiiiiiiis world” desculpa, é muito tarde da noite ou muito cedo da manhã, cê que tá lendo decide aí, mas Epiphany melhor música).

Tento manter algumas regras na minha vida para me manter saudável, principalmente, psicologicamente, e são coisas que eu peguei durante o período de “quarentena” que busco ao máximo manter ativas na minha vida, como, por exemplo, abrir minha janela todos os dias, comunicar meus sentimentos das maneiras que forem possíveis e coisas assim. Uma das regras que coloquei durante esse “ano sabático” de 2018 foi que textos não são escritos durante a madrugada por razões bem simples: se algo me afetar, eu tô sozinha, né? E não tem luz do dia. Então, eu tava aqui, desfazendo algumas coisas na minha cabeça e me liguei que a gente é incrivelmente cruel contra a gente mesmo. Contra minhas regras básicas, levantei e tô aqui, então acompanha o meu raciocínio aqui.

(EdiTai: eu sei, essa imagem não pode ser mais genérica, também tô triste)

Já reparou que, mesmo que a gente não diga “sou perfeccionista”, acabamos fazendo comparações entre a gente e outras pessoas, pensando sobre o que poderia ser melhor e o que não é tão bom. Não me entenda mal, acho incrível quando isso é feito de forma saudável e usado como uma “inspiração”, porém, sejamos sinceros aqui nesse espaço seguro: normalmente, não é assim que isso acontece. A crueldade é um sentimento internalizado e quase automático no grupo que sofre pressão social por atributos físicos.

Explicando melhor: dificilmente uma menina vai olhar para um menino e pensar “nossa, eu jogaria bola muito melhor se eu fosse um menino” mas é muito mais comum ela olhar para outra menina e pensar “nossa, isso seria muito mais fácil se eu fosse magra que nem ela”. Não posso falar sobre os outros grupos além de pessoas gordas, porém acredito que pessoas que são taxadas por atributos físicos acabam, inevitavelmente, passando por isso em algum momento da vida.

Cê sabe que eu não minto pra você, né? Então vou largar uma verdade que dói: não é uma realidade “bonita” ser uma mulher gorda no país (não que em qualquer outro lugar esteja parecendo mais promissor). Também não vou mascarar o fato de que, às vezes, quando passo um dia todo dando soco na ponta de prego e lutando pra ser ouvida em espaços que tento defender o direito do corpo de ser livre, sento e penso “mano do céu, essa gente ia me ouvir se eu fosse magra?”. E não é nem uma questão estética, é uma questão estrutural social. Mulheres vão sendo apagadas gradativamente de acordo com os atributos que elas oferecem e isso é cruel.

(EdiTai: finge que essa imagem tem um sentido, por favor)

Mas aí vem o pulo do gato (Jesus, é isso mesmo? Eu tenho 80 anos de idade? Entendi). Entendo que o caminho da aceitação corporal é longo e tortuoso (não lembro de ter escrito essa palavra, mas mandei bem, né?), mas ninguém fala sobre a necessidade de educar nosso cérebro para ser gentil. Obviamente é mais fácil ser gentil com a luta da colega, achar que a colega é bonita e que ela vai bem. É claro que é, sabe por que? Porque você não dorme e acorda sendo ela. Não é você que alimenta, limpa e veste aquele corpo. Aquele corpo não é seu.

Todo mundo tem degraus pelos quais vai passando para aceitar o próprio corpo e viver em paz consigo. Seja gentil, essa é minha dica. Só você acorda, dorme, toma banho e fica contigo durante as 24 horas do dia. Ninguém mais tem a chance de poder ajudar a amaciar essa luta tanto quanto você tem sobre si. E nossa, não vou dizer que é fácil, porém, aprender a conviver com “dia ruins” é outra lição.

Tem dias que vai estar tudo errado, tá? O que cê tem certeza que é bonito, o seu “ponto forte” vai tá todo errado e cê pode se sentir a pior pessoa do mundo e ponderar se tudo isso vale a pena mesmo ou se eras mais meter aquela dieta da moda. Não vale a pena meter aquela dieta da moda, vai por mim. Ainda mais durante um episódio de crueldade gratuita. Minha dica pessoal e não médica – sério, se a coisa ficar difícil, procure um médico – é tomar um chá, escutar música e fazer coisas que te deixem em um espaço melhor. Uma das coisas que também tento lembrar é “eu trataria minha amiga assim?”, se a resposta for não, não me trato assim também.

Todo mundo merece o direito de fazer as próprias escolhas e viver livre. Inclusive você.

(EdiTai: a explicação pras imagens genéricas tá lá embaixo)

Tente não ser cruel com você mesma, tá? De pouquinho em pouquinho, cada dia uma frase gentil. Não é o tamanho da sua cintura, a cor das suas estrias ou se você tem celulite ou não que faz a diferença na sua vida e na das outras pessoas. É tudo sobre as marcas (não sei colocar uma palavra melhor aqui, mas em inglês seria imprints, nesse sentido) que a gente deixa na vida. Saca? Mó motivacional, né? Ahhhhh só porque aqui é de graça, cê tá desdenhando minha frase motivacional? Se fosse uma palestra de 80 reais, cê ia achar genial, né? Então finge que é uma palestra cara e usa pra vida!

Pouco em pouco.

see ya internets!

(EdiTai: eu tô muito irritada porque achar imagens pra esse post foi horrível, a internet não ajuda, eu só queria pessoas felizes, abraços e que elas fossem pessoas gordas felizes MAS NOPE, até pra ser feliz em imagem tem padrão. vou tomar um chá, escutar Epiphany e lembrar que ainda existe amor no mundo. Desculpa aí gente, não tenho grana pra contratar um banco de imagem, mas quem sabe no futuro né?)

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