Beleza, Body Positivity, plus size

O valor da mulher gorda

E aí, meus pedacinhos de melancia, suavão? Suavíssimo aqui. Preciso que vocês me acompanhem durante um raciocínio para conseguir explicar como cheguei aqui hoje, escrevendo esse texto. Minha mãe mandou eu lavar a louça e fiz uma playlist de mulheres incríveis cantando sobre a vida delas e a vivência que elas têm para compartilhar. Eu odeio lavar louça, então precisava de ótimas músicas.

Aí vocês sabem aquele momento que a gente começa a dançar na frente da pia como se fosse parte do ballet do Faustão? Com glitter no corpo, naqueles degraus e tal (não sei se o Faustão ainda tem o ballet, faz muito tempo que não assisto tv, mas vocês entenderam), o espírito da militância bateu na minha cara. Escutando Whitney Huston e dançando como se estivesse nos anos 80, eu percebi: a mulher gorda não tem valor na sociedade. Continuar lendo

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moda

Marcas para conhecer em 2018

Olá, meus cheesecakes! Docinhos? Eu também, então bora! Eu sei que falei sobre gastar menos esse ano, focar em qualidade e não quantidade, mas isso não quer dizer que eu não vou comprar roupa!

O mercado plus size não desacelerou o crescimento nos últimos 5 anos (mas vou fazer um texto sério sobre isso, fiquem só com essa info por enquanto), então existem várias marcas surgindo. A gente já conhece as grandes? Já conhece, então hoje vou falar só das marcas que PESSOALMENTE quero conhecer esse ano – e encontrei quase todas elas no Instagram.

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Metas

Retrospectiva 2017

Oi, meus bolos de fubá. Como vocês estão? 2018 acabou de começar e eu tô me sentindo tão inspirada para começar/continuar projetos. Esse ano vai, galera. Mas com isso, vi que 2017 me ensinou/lembrou algumas coisas.

Exatamente por isso, quero que vocês me acompanhem nessa lista de 17 tópicos que 2017 fez questão de deixar bem claro para mim.

– Tudo acaba. Parece bobo falar assim, mas a gente esquece. Amizade acaba, aquela série incrível acaba, nossa banda favorita acaba… É tão natural e previsível, só que daí acontece e a gente parece que descobriu uma doença incurável, “ai o que eu faço agora? Como vai ser?” e assim por diante. Ficar triste é aceitável, é necessário e humano, mas deixar isso nos destruir é o pior. Manter a saúde psicológica também envolve mudar algumas coisas na nossa vida e umas vão precisar acabar.

– Nem sempre as pessoas vão ser honestas com a gente. Dói confiar em alguém que te mente? Orra, meus irmãos e irmãs, dói. Dá uma vontade de queimar tudo, quebrar a pessoa com um pedaço de pau, contar tudo pra mãe dele ou dela e isso tudo. Mas acontece, vamo faze o que? Quanto mais tempo a gente fica puto, pior é pra nossa saúde.

– Tudo bem terminar relacionamentos tóxicos, não importa se eles forem com “amigos”, família, emprego… Tem coisas que quanto mais longe, melhor.

– Vale muito a pena passar tempo com pessoas que nos inspiram e que nos amam.

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é mais fácil mesmo quando a gente é tão bonito

– Também vale muiiiito a pena passar tempo sozinha, se curtindo, se amando, cuidando de si.

– Nossos sentimentos são válidos e reais. Tá com raiva, triste, com fome, alegre? Não tem absolutamente nada errado nisso.

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– A gente não precisa viver a vida se desculpando. Minha mãe já diz “pede desculpa quando pisar no pé de alguém”, de resto, vamos ponderar se é necessário.

– Ainda na linha de que tudo acaba, as pessoas mudam. Sabe aquela amiga da primeira série, que era tudo de bom só que agora vocês não falam mais sobre as mesmas coisas? Não precisa ficar mal por isso, a gente também mudou.

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conheçam a gangue do ovo

– É melhor fazer bolhas de sabão do que plantar a discórdia. GUARDEM ESSE TÓPICO NO CORAÇÃO DE VOCÊS.

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#tairol é um hino

– Alguns dias vão ser mais difíceis do que os outros.

– Esclarecimento sobre liberdade e positividade corporal é um caminho e nem todo mundo está no mesmo patamar. Se a gente “entende mais”, a gente explica com carinho. Se tem uma pessoa que sabe mais e tá explicando, a gente fica quietinho e escuta. Toda experiência é um aprendizado.

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Mosmann, a primeira marca que acreditou em mim

– A sociedade nos criou enfiando na nossa cabeça que a gente precisa de coisas. Uns troços novos, bling bling, tag de comprado agora… Na real, não. Bora focar em aproveitar mais o que a gente tem e prezar pela qualidade e não pela quantidade (eu sou consumista e isso precisa mudar dentro de mim).

EXISTEM PESSOAS BOAS. Em todos os lugares. Online e offline.

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– Aceitar desafios dá um medo que chega a dar vontade de sentar, mas bora que tamo aqui nessa vida é pra conhecer coisas novas (só não vale se machucar, lembrem as regras do rolê: não se apaixonar, não brigar, não morrer, não ir preso)

– Não importa o quanto a gente saiba, ainda dá pra aprender mais. E em várias áreas.

– Encontrar um hobby deixa a gente mais calmo, feliz e em paz. Encontrem um pra vocês também, vale a pena.

– Existem pessoas que vão nos ajudar. Eu tenho sérios problemas para pedir ajuda, porque, na minha cabeça, eu sou foda pra caralho, faço tudo, manda pra mim que eu bato de esquerda e gol, só que daí, isso é mentira, tudo começa a ruir em volta de mim, sento e choro. Então, peçam ajuda. Não sabe? Pergunta. Quer aprender? Pede pra explicar. Nunca nem viu? Vê se alguém sabe. Por isso agradeço todas as pessoas que me ajudaram muito em 2017.

 

E agora, uma dica para 2018:

Quem não pede, não ganha. Vão lá, coloquem a cara no sol, divulguem o trabalho de vocês, postem foto, entrem em contato, façam parcerias e falem sobre isso. A gente tá numa era digital que parece que a gente só pode se orgulhar do nosso trabalho se ele tiver 120 comentários, 1M de visualizações, 74K de compartilhamentos… Não. Eu quero é ver vocês fazendo bolo e postando, colocando resumo de estudo pra prova nos stories, fazendo vídeo de make… E acreditem nos projetos dos amigos.

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Eu vou voltar, antes do que vocês esperam, meus bolinhos.

see ya, internets.

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Beleza, Body Positivity, plus size

Hiperfeminilidade gorda

E aí, meus bolos de brigadeiro cremoso? Doces? É nois. Enquanto procurava o material de pesquisa para esse texto, descobri que os saves do meu Facebook giram em torno de só dois temas: receitas e referências sobre a luta gorda. Sério, só isso. Acho que isso diz muito sobre mim. O que tem no saves de vocês?

Sabem aqueles momentos que tá tudo bem aí cês leem uma coisa e a vida muda, a Adele começa a cantar na mente de vocês “this is the end, hold your breath and count to ten” e cês sabem, no fundo do coração que aquela informação vai mudar a visão de vocês pra vida. Isso aconteceu comigo no último mês quando me deparei com essa reportagem da revista americana Dazed.

Por que a hiperfeminilidade é esperada de mulheres gordas? Li tudo e pensei “bom, precisamos fazer uma pesquisa” e nisso começa um trabalho de semanas atrás de conceitos para expor aqui. Procurei respostas em tópicos do reddit, em livros de autoras sobre positividade corporal e é uma verdade: o padrão indica que se você é gorda, “deve ser, no mínimo, ajeitada”. Aqui é onde tudo começa a ficar muito louco, muito rápido.

 

Quem me conhece há mais tempo sabe que nem sempre eu aceitei meu corpo e a forma dele. Então, não é preciso ir muito fundo na internet para encontrar espaços onde meninas e meninos se abrem sobre seus transtornos alimentares e eu sabia onde encontrar grande parte desses espaços. Uma das coisas que sempre me chocava era o fato de as pessoas dizerem que tomavam vários banhos por dia para se sentirem limpos, porque a gordura do corpo parecia dar o efeito de “sujo”.

Acabando o flash back e voltando aos dias atuais, parece que encontrei uma outra versão dessa mesma teoria. Meninas gordas “precisam” ser bem arrumadas, “femininas”, “delicadas”, “limpas”… Não me entendam mal, eu amo mulheres que exploram o feminino, a sensualidade, que se sentem bem em cima de um salto alto, sem sutiã, com o rosto maquiado ou de moletom. Mas nunca vou obrigar elas a nada, essa é uma decisão pura e inteiramente pessoal, é uma expressão de si para o mundo, entendem? Então, por que, mulheres gordas precisam acatar uma norma social se elas já são, de qualquer maneira, hostilizadas?

Eu explico! O corpo gordo é frequentemente ligado à questões relacionadas com preguiça, descontrole, ansiedade e desorganização. Então, antes mesmo daquela menina gorda que acabou de entrar pela porta da sala de reuniões abrir a boca, ela já é desleixada por ter o cabelo não “domado” ou o delineado dos olhos bem feito.

Não é complicado encontrar fotos de meninas magras (normalmente brancas, vamos encarar a realidade aqui, pessoal), com aquele coque mal-feito, um moletom enorme e uma maquiagem leve. Isso é errado? Não, gostaria de estar assim e andando na rua, só que quando eu faço isso, sou considerada pee wee da cabeça. O errado mesmo é não terem os mesmos estilos de fotos para meninas gordas. O Pinterest (onde passo grande parte dos meus dias online) é uma grande fonte de inspiração para a moda, porém, recentemente, percebi que só vejo meninas gordas “montadas”. Lindas, obviamente. Mas quero meninas gordas de moletom, tênis, short curto e blusas largas, entendem?

A indústria da moda já disse que “gordas usam decote v” ou “roupas escuras são melhores para corpos maiores”, só que isso é tão blassé, tão anos 90 que não me conformo em ainda aceitarmos que a hiperfeminilidade gorda seja exigida. Amo vestidos rodados, saias godê, corte princesa (ainda chama assim? cresci com muitas pessoas idosas) e todas essas coisas, mas isso não diminui o amor por moletons grandes e tênis.

Ninguém deveria ser obrigado a nada quando o quesito é moda, maquiagem ou não, paetê ou renda, nada. Defendo o lazy look para meninas gordas, coloquem essas caras no sol, confiança no look de vocês e comandem o mundo, nada de ficar na concha! Pode ser complicado no começo (comecei a usar blazers esse ano e no início achava que parecia o Ken pianista, mas estamos aí, com vários blazers), mas vão com calma e sempre. Se o lazy look não é a praia de vocês, tudo bem. Glam up! Se montem, façam um auê e toquem glitter, aí me liguem que eu também vou, amo glitter. O lance é, não deixem que um conceito no qual vocês não acreditam fique podando a galera de tentar novas coisas. Isso é blassé, repitam comigo: B L A S S É.

Chuva de purpurina em vocês, meus doces!

bye, internets!

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Body Positivity

A gorda em setembro

Oi, meus bolinhos de cenoura! Começou um dos meses mais importantes do ano pra mim. Setembro tem um significado importante e traz a tona uma das causas que eu mais defendo quando falando sobre o corpo livre: a importância da saúde psicológica de todo mundo.

Esse pode ser um texto um pouco diferente dos outros, porém ele é importante. Segundo o Instituto Sinapse, 30% dos pacientes que procuram por tratamentos para emagrecimento mostram um quadro relacionado a problemas de saúde psicológica. E não é a primeira vez que falo sobre como é importante manter a saúde, em todos os aspectos. Entendo que não sou médica, nem formada em qualquer área da saúde (ainda), mas tenho uma experiência real com o corpo gordo: sempre fui gorda.

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Não quero pregar a ideia de “BORA FICAR LOUCO, ENCHER A CARA DE TRAGO, FUMAR CIGARROS E IR NO MC DEPOIS”, longe de mim. Não fumo e nem bebo (mas comer eu como mesmo porque todo mundo tem um vício, tá? e o meu é a comida que meu irmão prepara. ou minhas vós. ou minha mãe e meu pai. ou meus melhores amigos. SEI LÁ, ME ALIMENTA AÍ, GENTE) mas a sociedade como é, acha que tem direito de questionar minha saúde porque sou gorda. Essa semana, em um evento entre amigos da família, fui questionada sobre porque não fazia cirurgia bariátrica. Simples: porque eu sou saudável. Se tivesse qualquer tipo de complicação clínica direta criada pela gordura, estaria na cirurgia hoje.

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E aí está o ponto. Ninguém se importa realmente com a saúde daquela pessoa. Um gordo ou uma gorda dói nos olhos, incomoda, irrita, ainda mais se essa pessoa TEM A AUDÁCIA de se sentir bem. De respirar livremente na própria pele. Sabiam que o que mais afasta pessoas gordas da academia é o julgamento social? São os olhos que acompanham a pessoa entre os equipamentos, as manchas de suor (que todo mundo tem) que parecem engolir o corpo por inteiro, é o descaso dos profissionais com aquele corpo. Não é a pessoa gorda. Falo por mim, houve um período da vida onde eu só queria duas coisas: 1) ser igual a todo mundo e 2) que ninguém conseguisse me ver. E isso, gente, mata mais por ano do que a obesidade. 1 pessoa se suicida a cada 40 segundos.

Eu não estou dizendo que todas as pessoas que se suicidam são gordas, estou explicando que infringimos dor às vezes sem perceber. Lembram do texto da amiga magra? Exatamente. Professores, colegas, chefes, namorados e namoradas. Quando criei o cincodois, minha ideia era poder manter uma comunidade que pregasse aceitação e que entendesse que existe beleza e amor de todas as formas, cores e sabores. Assim como bolo! E, cara, eu amo bolo. E amo cada ideia que tenho para poder continuar com isso, cada insight que vocês me dão, cada pessoa que vem falar comigo e cada novo projeto.

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Então, durante setembro vamos falar muito de saúde mental para quem é um bolinho como a mamãe. E, aproveitando, quero saber o que vocês amam. O que move esses corpos, alegra esses corações e enche essas bocas. Mamãe ama vocês!

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bye, internets!

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Body Positivity, Body Shaming

Que mané “gordinha”!

Oi, meus chocolatinhos! Sussa? Bora! Hoje vamos tocar na ferida e tocar areia por cima porque A GENTE NÃO É FRACO, NÉ? Preparem o chá de hibisco e vamos dale.

O assunto de hoje é: seu diminutivo não diminui seu preconceito. Gordinha, fofinha, rechochudinha… pára, tá? Já chega. Colocar inha/inho no final de uma palavra não muda a intenção dela.

Acho engraçado como as pessoas se sentem livres de preconceito quando decidem colocar “inha/inho” na palavra. Isso é um conceito que acompanha a linguística desde quando a criança nasce, infantiliza e maquia um preceito: “não posso dizer que ela é gorda ou vou ofender ela, porém se eu disser que ela é só um pouco gorda, talvez me alivia”. Bom, tenho que contar um segredo: não alivia.

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Bebês são gordinhos, porque eles tem centímetros. Eles podem ser gordinhos e gordinhas (inclusive gosto muito, queria poder apertar um bebê gordinho agora, ia melhorar o meu dia. Eu + bebês = ❤), o resto da população é gorda.

Só que aí o melado começa a subir e cês se desesperam, né? Isso acontece porque ainda, na cabeça de quem fala, gorda/gordo é uma ofensa. E, gente, pela milésima vez, não é. Vou contar um causo rapidinho pra vocês: ano passado o angu encaroçou lá em casa porque meu irmão (que é 10 anos mais novo) tinha sido tirado da sala de aula. Motivo: eles estavam aprendendo adjetivos e a professora pediu para classificarem entre bons e ruins. Uma colega disse “gorda e magra”. E A PROFESSORA ACEITOU, SABENDO DIREITINHO EM QUAL COLUNA COLOCAR CADA PALAVRA. Pra quem não conhece meu irmão, ele é um adolescente bem querido, abobado, ótimo fotógrafo, muito inteligente e ABSURDAMENTE tímido. Nesse dia ele levantou a mão e falou pra professora que não, gorda e magra não podiam ser usadas assim. A professora argumentou que NAS CONDIÇÕES SOCIAIS ATUAIS (nesse momento, na sala da coordenação, eu quis me atirar da janela)… Pra o que meu irmão respondeu: “e se eu dissesse preto e branco, as condições sociais iam ser as mesmas?”. A professora era negra e ferveu o kissuco, né.

Mas o lance é: existe uma luta negra – que eu não tenho know how necessário pra falar sobre, mas já estamos ajeitando isso – porém eu quero ressaltar que normalizar o preconceito não faz com que ele fique brando ou desapareça. Só dá mais direito a “condição social atual” de agir.

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Então, como já diz Tia Má, “tira o chinelinho e põe o pé no chão”. Gorda e gordo não é xingamento, não, minhas filhas e filhos. Última vez que usaram isso contra mim, respondi: “pessoa que vê”, ao o que a pessoa não entendeu e expliquei “pensei que a gente tava falando o óbvio”. ALÔ, É ÓBVIO QUE EU SOU GORDA! Eu vejo, sinto e vivo isso todo dia, assim como toda pessoa gorda.

Da próxima vez que cês forem falar de alguém, ao invés de dizer “é gordinha”, limpem o coração de vocês e sejam justos, “é um pouco gorda” ou, se vocês são corajosos o bastante, “ela é gorda”. E não completem essa frase com nenhum “mas”, essa frase não precisa de uma justificativa. Ninguém tá por aí dizendo “ele é alto, mas é bem legal”.

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Sacaram? Sejam justas e justos com vocês e com as pessoas ao redor também. Confio na família bolinho para fazer isso! Vejo vocês em breve, meus doces.

see ya, internets.

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Body Positivity, Body Shaming, Magreza

Cara amiga magra

E aí, meus mousses de framboesa! Gordinhos e gordinhas? Suaaaaave. Eu tô maluca. Maluca. Pee-wee da cabeça. Chega um momento na vida de uma mina/ um cara que tá na hora de dizer chega, que tu fica pistola com uma coisa e se faz necessário falar sobre isso. Bom, eu tô pistola.

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Prego a paciência, que a gente precisa de diálogo pra resolver as coisas e todo esse paranauê pedagógico que nos protege durante mudanças porque não sou uma pessoa que defende confrontos diretos e impensados. Porém, se tu quer me ver pistola, tu chega em mim e fala “tô gorda?” ou “olha essa gordura aqui”. Eu vou te responder com uma patada? É provável.

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Pela benção de Cher, não tenho mais nenhum amigo ou amiga que fiquem olhando o corpo magro no espelho e perguntando se estão gordos. REAL TALK RIGHT NOW: isso acaba com a psique de várias pessoas gordas, principalmente meninas. O cérebro trabalha de umas maneiras que nós, meros bolinhos, não somos capazes de entender. Saca a explicação:

  1. Minha amiga é dentro do padrão; ela é magra.
  2. Minha amiga tá insegura, pergunta se tá gorda.
  3. Eu digo “não, sua boba. Tá linda.”
  4. Ela, não convencida, começa a apontar lugares do corpo, como os braços, as coxas, a barriga e o pescoço.
  5. Eu, gorda, começo a pensar “mas mano do céu, se essa mina é gorda, o que eu sou?”
  6. Acontece de eu dizer isso em voz alta pra ela, porque ela é minha amiga, quero que ela se sinta bem. “Para amiga, você tá linda. Se isso é gorda, o que vou dizer de mim? Hehehe”
  7. Minha amiga responde “awn, que fofa! cê também é linda, amiga. Não liga pros outros”

QUEM JÁ PASSOU POR ISSO, ME COMPRA UM CHIPS E UMA CEVA. PASSO O ENDEREÇO E CÊS ENVIAM. VOU COMER E BEBER POR MESES.

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TÁ TUDO ERRADO. TUDO. Viu só? Tô pistola de novo! Vamos analisar essa situação ridícula em tópicos:

  • Tudo bem a amiga estar insegura. Ela sofre de pressão estética, já falei sobre isso. Talvez ela precise mesmo de um elogio, todo mundo tem esses dias. Não odeiem meninas magras. TÁ QUASE TODO MUNDO SOFRENDO NESSE MUNDO CÃO (desculpa, pistola ainda)

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  • A amiga podia ter escolhido outra maneira de falar o que falou? Sim. Então é sempre legal assumir que ela não sabe e ensinar, com calma e carinho, porque afinal essa mina é tua amiga, mana.
  • Ela não pode tá gorda e ser linda? Tem um conceito errado aí. Ela pode sim ser os dois ao mesmo tempo, cês que ficam viajando.

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  • A menina gorda do diálogo se diminui pra poder apoiar a amiga magra. AQUI Ó: se vocês se diminuem pra ter tal amiga/amigo, pra ficar com o namorado/namorada, vou avisar: foge. Se afasta. Isso é tóxico e, sinceramente, nós somos combinações de carbono tão perfeitas pra ficar aí se diminuindo. Que teto errado, galera.
  • A comparação corporal é um assunto muito sério porque isso causa mais problema do que a gente imagina. Dismorfia impede que a pessoa veja seu corpo real, criando uma imagem virtual distorcida da realidade. E cês acham que isso dá no tempo entre um EP e outro de série no Netflix? Não, né! É um processo longo e que deteriora toda a autoestima.

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  • É fácil dizer pra não ligar. Eu chamo isso de “você não, amiga”. Exemplo: a nova namorada do meu ex namorado não é “melhor” que eu porque ela é gorda. Aí tem uma menina gorda na conversa e essa mesma pessoa diz “mas nada pessoal, tá amiga? Você é linda!” Eu não sei como dizer isso, sua amiga pode te amar mas você não é realmente bonita aos olhos dela. Você pode ser “agradável aos olhos” porque ela se acostumou, mas os padrões de beleza ainda fazem essa outra pessoa hostilizar e desumanizar pessoas gordas. Tenta mostrar pra ela o outro lado se tu passar por isso. As pessoas podem mudar.

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Entenderam o que eu quis passar? Não sejam a amiga que derruba a outra. Pode nem ser a intenção, mas acaba machucando. E outra, parem de usar “gorda” como algo ruim ou repulsivo. Tá ruim e tá errado.

Então, se vocês vierem, me perguntarem se estão gordas (sendo que sou claramente gorda), não venham de mimimi quando eu responder algo que não seja o que vocês esperam. Esse corpo que você tem é o único que você vai ter pelos próximos 100 anos. É uma obra de arte e química tão bem ajeitada e única, não sejam uns bocós deixando essa experiência passar.

Sejam boas/bons e sejam lindas e lindos. Volto em breve!

bye, internets.

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